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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A LETRA B E TRÊS TRAGÉDIAS


Caros amigos seguidores desse blog, seis meses ausente do convívio da blogosfera, estou retornando aos poucos, meus e-mail de alguns blogs forma deletados e então lá se foram os blogs também, foi muito trabalho perdido, bem como o carinho  dos amigos , por sorte restou este que é vinculado sozinho ao e-mail. E para comemorar a sobrevivência do blog trouxe uma postagem de  cunho social que tive o prazer de encontrar no Recanto das Letras e que divulgo aqui com muita satisfação.

Leiam, vale  à pena!



Esta é a história incompleta de três tragédias, todas começando com a letra B. A primeira ocorreu em 21 de janeiro de 2019; todos os anos ela mata de vergonha uns poucos brasileiros – a maioria gosta! Se você chutou Big Brother Brasil, bingo!
Quatro dias depois veio a segunda tragédia e é desta que o artigo se ocupará. Como se fossem um tenebroso agosto os meses de janeiro e fevereiro ainda trariam outro evento trágico. Era o dia 11 de fevereiro quando nos surpreendeu a fatalidade com a morte estúpida de Ricardo Boechat, o jornalista mais sem partido que conheci.

A consequência do BBB nas mentes brasileiras poderia ser tipificada como crime contra a pessoa humana se assim estivesse escrito nas leis. As consequências da ruptura da barragem de Brumadinho ainda não foram adequadamente mensuradas e não há um laudo técnico criticamente aceitável para que as autoridades tomem as ações esperadas. E não se espera um substituto possível para Boechat, nem mesmo William Waak. 

Curioso é este país que, numa só tacada, ri de si mesmo com o BBB e chora todas as dores possíveis com a morte de um jornalista e a de pessoas, animais e corpos aquáticos que, descuidados, estavam na rota de uma avalanche de rejeitos.


Mas, o que motiva este artigo é uma matéria de bela feitura e grande repercussão apresentada pelo The New York Times. Ela está assinada por sete jornalistas, incluindo dois brasileiros. Dirão alguns: a discussão de problemas de áreas técnicas não é da alçada jornalística. Ok, ok, e, entretanto nada impede que eles coloquem as mãos na ferida – e assim o fizeram.

Tentando extrair alguma verdade assisti várias vezes o vídeo que mostra a ruptura iniciando. Tudo tão confuso e impreciso à distância, mesmo com olhar clínico aguçado. Se algum julgamento puder ser antecipado, eu diria aos engenheiros do ramo: é quase certo que a liquefação estática é a causa da ruptura, potencializada por um ou mais gatilhos que ainda não se tem certeza de quais são. 

Os leigos gostariam de saber o que é isso, pois parece improvável que uma barragem que não recebia rejeitos por via úmida há vários anos tenha lançado milhões de metros cúbicos de lama fluida descendo pelo vale com a velocidade de um Ford 1929. Fica ainda mais difícil de entender se eu lhes disser que, não faz muito tempo, se acreditava que a única forma possível de ocorrer a liquefação de materiais arenosos era através de um carregamento dinâmico. Ou seja: um tremor de terra produzido por explosivos ou terremotos. Mas já estamos seguros que não e a liquefação estática tem sido a tônica da maioria dos eventos trágicos em barragens de rejeito pelo mundo afora. 

Em Mariana, um problema que estudei bem, foi um mecanismo complexo chamado de extrusão de lamas dentro da camada de rejeito arenoso. Ele começou com o aumento rápido da carga estática devido ao rápido alteamento imposto à barragem pela ganância de aumentar o ritmo da produção. Barragem alteada para montante, diga-se de passagem, apoiada sobre rejeitos fofos e saturados que se integrariam ao próprio corpo da barragem.

Havia uma série de incidentes no histórico operacional da barragem de Fundão em Mariana, cujos segredos eram mantidos na intimidade dos arquivos quase secretos da empresa. O fator de segurança foi diminuindo com o tempo – em outras palavras, a barragem foi-se tornando gradualmente menos resistente enquanto os esforços sobre ela aumentavam. O tiro de misericórdia numa coisa que já estava à beira da urna funerária foram três pequenos abalos sísmicos. Por si só insuficientes para romper a barragem, mas suficientes para desestruturar um maciço que já estava no limiar da segurança.

Mas, e em Brumadinho?

Tem-se que levar em conta que a liquefação estática só ocorre mediante a existência de alguns mecanismos previamente existentes: 1) presença de rejeitos fofos e contrativos; 2) rejeitos saturados; e 3) ruptura rápida. Para o entendimento mais trivial essas informações me parecem suficientes. Mesmo porque explicar o que é rejeito contrativo e ruptura rápida por cisalhamento não drenado precisa de um extenso curso.

Agora se sabe que a barragem estava doente. A patologia tinha sido impressa em digitais por engenheiros que monitoravam seu comportamento. Ninguém se arriscava a dizer que era provável a sua ruptura, mas este cenário não era desdenhado. Havia previsão de mortes e custos financeiros onerando a tragédia. E por que nada foi feito? Simplesmente porque barragens de rejeito, ao contrário das barragens para geração de energia elétrica, não são encaradas como produtos. São parte de uma cadeia de aborrecimentos que precisam ser empurrados com a barriga para não aborrecer os acionistas e o CEO.

De outubro a dezembro de 2018 choveu muito na região. Não se sabe se o sistema de drenagem interna da barragem funcionava bem. Se não, boa parte dos volumes precipitados se armazenaram nos rejeitos. O que antes estava ressecado saturou. A superfície freática se elevou no interior da barragem. Isso foi medido? Havia instrumentos bem localizados, em bom estado de funcionamento, para as leituras das pressões da água no interior da barragem? Se havia leituras dos piezômetros, elas foram bem interpretadas? São perguntas que só um prolongado (e demorado) laudo técnico abordado de forma multidisciplinar poderá esclarecer.
Em outras palavras: se o sistema de drenagem interna da barragem tivesse funcionado eficazmente, talvez se tivesse outro cenário de segurança. Ora, a palavra “segurança” não saiu aí por acaso. Tecnicamente, segurança se contrapõe a risco. E risco precisa ser administrado pela Gestão de Riscos, ou melhor, por um Sistema Integrado de Gestão de Riscos, que inclui, entre outras coisas, Gestão de Riscos Operacionais e Registro de Riscos (Banco de Dados). Um dos componentes mais importantes do Registro de Riscos é exatamente a probabilidade de ocorrência do risco.

Há anos venho tentando convencer às pessoas que a análise de estabilidade é uma pequena farsa. Em “A Tragédia de Mariana – Lições extraídas da barragem de Fundão” escrevi o seguinte: “Em barragens um fator de segurança considerado adequado pode ser destruído localmente em questão de minutos por más condições de drenagem interna ou má compactação de materiais, isso sem considerar a possibilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos [...] Uma das maiores fraudes da engenharia é a análise determinística de estabilidade de taludes, devido à confiança cega nos resultados, passada por convencimento pelo projetista e aceita ingenuamente pelos analistas de projeto. Isso serve para confundir os leigos e dar oportunidade aos mais espertos de atribuir a ruptura de uma barragem ao mero acaso ou à má sorte mediante o argumento de que o fator de segurança era adequado.”

Faço essas ressalvas porque cada operador de barragens de rejeito diria o que a Vale reproduziu em um comunicado: “A represa tinha um fator de segurança de acordo com as melhores práticas do mundo [...] A estrutura foi inspecionada regularmente e os relatórios atestavam a segurança física e hidráulica da barragem".

Não há um único especialista sério em barragens no Brasil que tenha se surpreendido com essa nova tragédia. Difícil seria dizer que Brumadinho viria tão cedo logo após a contundente tragédia de Maria. Agora cabe perguntar: qual será a próxima e quando? Pois, somente nas proximidades de Belo Horizonte há quase três dezenas de barragens de rejeito construídas pelo método de montante e mais de 40% delas estão a montante de áreas habitadas. E só de pensar nisso as autoridades se encontram em estado de calamidade, expulsando moradores e desviando o tráfego de rodovias.

Cinicamente, os responsáveis pela desídia alegam que a barragem rompida tinha licença ambiental e estabilidade garantida. Curiosamente, essas são duas características sempre presentes nas barragens que rompem. Desde a década de 1990 firmei a convicção de que, por causa da grande variabilidade espacial dos materiais geotécnicos e a consequente dispersão nos valores de suas propriedades é inviável a adoção de parâmetros médios para os estudos de estabilidade.

No projeto básico de qualquer barragem é feita uma análise de estabilidade através da qual se calcula um indicador determinístico de segurança conhecido como “Fator de Segurança”. Muitas vezes a “seção crítica” analisada é tão extensa que nem por graça divina as propriedades geotécnicas e hidráulicas permanecerão constantes ao longo dela, mas, mesmo assim, é esta a hipótese que geralmente se adota.

Li recentemente um pequeno artigo onde são apresentados cem fatores de risco e suas respectivas frequências. Elas variam desde “Inspeções e Controles Inadequados” (93%) até “Fraudes” (0%). Embora com a ressalva de que a listagem contempla apenas as Atividades Industriais e não pode ser generalizada para outros tipos de empreendimentos chama a atenção os dez primeiros da lista (frequência igual ou maior que 70%), todos identificados com os mesmos fatores de risco que são negligenciados em barragens de rejeito.

Inspeções ou controles inadequados. Alterações nos requisitos do cliente. Tarefas não previstas. Requisitos de produção conflitantes. Análises de risco inadequadas. Mudanças de escopo. Objetivos mal definidos. Tarefas concluídas tardiamente. Problemas com critério de aceitação. Parceiros pouco comprometidos.

O The New York Times ousa afirmar, como nenhum jornalista brasileiro fez até então, que na tragédia de Brumadinho todos os elementos para a catástrofe estavam presentes: barragem construída a baixo custo – grande população localizada a montante e a pequena distância – negligência em relação às advertências quanto a problemas estruturais – instrumentos de monitoramento defeituosos e inoperantes. E finaliza a questão de modo enfático ao afirmar que está claro “que nem o setor de mineração nem os reguladores têm a situação sob controle”.

Jogar toda a culpa sobre a Vale neste momento é crime de prevaricação. Ela é a maior, não única culpada pela tragédia. A lista é imensa e começa pelas mais altas autoridades da República representadas pelos responsáveis por fazer e por cumprir leis. Passa pelos operadores da barragem que davam manutenção e analisavam relatórios de inspeção de segurança. E termina com os inúmeros engenheiros especialistas que só se pronunciam em momentos assim. Dentre esses eu me incluo.

A minha vasta experiência em Engenharia Civil me dá autoridade para afirmar que não há obras traiçoeiras. Até mesmo os sistemas elásticos – estruturas de aço e concreto armado – se manifestam previamente. Materiais que se plastificam como solos se deformam prolongadamente, visibilizam trincas, se abrem para a passagem anormal de água, etc. Esta é a responsabilidade de quem se encarrega de acompanhá-las. 

Projetar uma barragem de rejeitos pelo método de montante é uma temeridade, embora engenheiros renomados não hesitem em fazê-lo confiando que suas premissas de projeto serão literalmente cumpridas: distância mínima da praia de rejeitos e dreno de fundo. Dois fundamentos cruciais frequentemente desprezados. Em Mariana foi assim: o dreno de fundo deixou de funcionar logo no início da operação e o conceito de pilha drenada foi jogado no lixo. Brumadinho teria repetido o erro? Ou vice-versa? Num e noutro caso – a se confirmar esta hipótese – um irresponsável recuo do eixo da barragem para resolver as pendências de drenagem interna.

Não está aqui em julgamento nenhuma pessoa ou instituição, posto que prejulgar sem conhecimento das causas é leviano. Mas o script parece absolutamente normal. A impressão é a de que todos rezam pela mesma cartilha. 
O artigo do The New York Times é inconclusivo quanto à liquefação, deixando a dúvida se ela foi causa ou efeito do colapso da barragem. É quase certo que seja a causa, eis minha opinião preliminar. Ainda que seja em uma pequena seção inicial, através da qual a brecha se propagou rapidamente pelo afluxo dos rejeitos.

O que é interessante neste artigo do NYT é a declaração de especialistas atestando que é possível construir barragens de rejeito pelo método de alteamento a montante com segurança. E ilustrando o fato é citado nominalmente o Sr. W. Allen Marr, presidente-executivo de uma empresa sediada em Boston, membro da academia nacional nos EUA: “geralmente é uma combinação de várias coisas que deveriam ter sido feitas, mas não foram feitas” – disse-o como justificativa de que não vê nada de errado no método.

Uma dissertação de mestrado, abordando especificamente o potencial de liquefação da barragem que rompeu foi defendida em 2010. O autor, engenheiro da Vale, escreveu nas conclusões: “Os rejeitos dispostos na Barragem I da Mina de Córrego do Feijão constituem materiais que tendem a exibir comportamento contrátil sob cisalhamento e, assim, susceptibilidade potencial a mecanismos de liquefação”.
Não se pode ignorar que a barragem poderia ser classificada como vulnerável. Depois disso a TÜV SÜD, contratada em 2018 para inspeção da barragem, mesmo encontrando fatores de segurança não críticos manifestou alguma preocupação com sua segurança. Foram constatados problemas graves de manutenção originados por obstruções nos tubos de drenagem e rachaduras. 
No relatório dessa empresa consta a advertência de risco de liquefação e o relato de infiltração de água em pelo menos uma seção, como se deduz do artigo do The New York Times. Já é hora de os engenheiros especializados em riscos, gestão de segurança de barragens e análise de estabilidade serem mais exigentes e menos subservientes com seus contratantes. 
Afinal de contas a ruptura de barragens de rejeito tem agora o mesmo efeito de uma bomba-relógio montada sobre nossas cabeças.

Cornélio Zampier Teixeira

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Lembranças

Hoje senti uma saudade enorme dos lugares por onde passei.
O pensamento vai e vem, volta com força avassaladora e agarra-me com as unhas do passado, leva-me como a correnteza do rio, vou de um estado a outro.

Vou deslizando rio abaixo sobre seu leito pontilhado de pedras, um remanso mais agitado pelo vento parece conspirar sobre o meu saudoso itinerário, deixo-me conduzir pela correnteza, desvio obstáculos e me agarro nos braços dos barrancos que chamo de amigos, aqueles accessíveis amigos que tantas vezes dividiram comigo a sua luz.

Quão gratificante foi passear pelas nítidas lembranças que involuntariamente crepitam em minha memória. Cintila em meus olhos um clarão, nitidamente visualizo meus amigos, abraço-os num gesto de gratidão!

Diná Fernandes

sábado, 6 de outubro de 2018

Alma Nômade

Minh’ alma é nômade,
por isso, mutável e viajora.
Nem sei por que não me batizaram
de quatro estações.
Meu coração vive em festa.
Não há espaço para cultuar
desventuras.

Jamais perco a fé
no Altíssimo, o alicerce
que segura minha estrutura.

Seja noite seja dia,
estou pronta para desbravar
as estradas da vida,
suas curvas e retas.

Há um foco de Luz
margeando minha estrada,
indicando o perigo a ser evitado.
Nômade vagueia mas não perde o rumo.
Eu sou toda liberdade!

Diná Fernandes

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

BOM DIA!


Bom dia amigos (as) estou em Cabedelo até 05/10, lançamento
do livro da amiga Roseleide Farias  dia 15 às 19:30 n  FORTALEZA
SANTA CATARINA. 
Logo que retornar agradecerei as lindas visitas.
Bjss!





segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Amor mecânico


Que evolução estranha essa do amor, 
Jeito mais grotesco de se dar, sentimento ausente, 
Só vale o momento, não tem mãos suadas 
Nem coração descompassado. 

É tudo mecânico como uma máquina 
Abraçou, beijou, ficou e tchau! 
Por onde andam os sonhos
 e os suspiros do primeiro despertar? 
O amor está em desuso, 
Companheirismo parece coisa do passado, 
A individualidade e intolerância comandam o ser humano.

Foram-se os tempos dourados, 
Namoro no portão, passeio de mãos dadas
O anseio do beijo roubado
Enfim, todo o romantismo engolido pela evolução do tempo.


Diná Fernandes

sábado, 8 de setembro de 2018

& Poetizando e Encantando nº 52 &

Mais uma participação no Poetizando com a Lourdes Duarte


http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com

Vejo o majestoso mar azul,
 um céu bordado de brancas nuvens,
o dia ensolarado me convida  a velejar.

Enquanto espero o barco chegar
Ergo meus braços e agradeço pela imensidão
Mais bela e natural que há na terra.

Ondas mansas e murmurantes,
Vento macio a comandar
Seus movimentos constantes.
No quesito beleza, o mar é campeão!

A onda é uma poesia
Sua música é verso líquido
Ninando as águas homicidas.

Diná Fernandes


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Sem passado



Quem viveu desprovido de sonhos,
sem amor e histórias pra contar,
como folhas mortas sem nenhum vigor,
não conheceu o reverso da vida.

Sem passado, sem cacos pra juntar,
Não amou, não foi amado.
Nada da vida soube aproveitar

Por não conhecer a ousadia de ganhar ou perder,
viveu como uma fração do nada,
no seu desconhecido mundo.
cultuando uma vida vazia!

Diná Fernandes

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Aquiescência-Poetizando e Encantado-edição 51ª

Bom dia a todos!
Em primeiro lugar peço desculpa pela ausência, a amiga coluna
anda a me incomodar e me deixou  em repouso.
Comunico: A partir de agora a BC da mestra Lourdes passará a ser postada neste blog.



http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br

Olho em frente e a minha saudade
É contínua, é aspiração incessante
É a afirmação da doce sublimidade
É a certeza plena do amor vibrante
                                                
A onda que bate forte no rochedo
É a mesma que açoita a saudade
Abro minha janela, peço piedade
Ao Deus Netuno por tal degredo!

Que cavalgue as ondas do imenso mar
E que por baixo dessas águas abissais
Que os meus sonhos puderam soterrar
E que deixara em mim dores cruciais

Que  resgate em vespertina manhã
Meu saudoso amor e soterre a ausência
E que ao longe meu olhar pleno de afã
Possa alegremente ter a aquiescência.

Diná Fernandes


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Na calada da noite


Na calada da noite,

Quando fecho minha porta
Um pensamento me escolta
Tudo em mim se transforma
É a hora d’alguma reforma...

O ego se vira e revira
Idéias logo se agigantam
Enquanto a noite se estira
Os detalhes se adéquam

Num dialogar persistente
Que me faz acreditar
Que a força da mente
Tudo pode modificar

E assim, na calada da noite
Eu consigo espantar
Os insolentes açoites
E a minha vida transformar

E quando o novo dia nascer
Trazendo as boas energias
Ao Pai preciso agradecer.
A dádiva da vida por mais um dia!

Diná Fernandes



terça-feira, 14 de agosto de 2018

Dama Perfeita- Dueto

Lendo os comentários dos amigos, resolvi ativar o blog. 
Nada como um pedido dos seguidores, é realmente issresistível!
Agradeço o carinho das amáveis palavras deixadas aqui :  Carmem, Pedro Luso, Chica e Cidália!


Minha insanidade não tem limites.
Ora doida, noutra apaixonada,
Às vezes um tanto enfezada,
capaz de afetar a tua essência
so pra te ver surfar nas minhas ondas.
Basta que me enlaces
para que eu destile meu doce veneno
no céu da tua boca.
Sou assim, uma mistura
Sem complexo,
Não conheço Édipo!
Sou dama perfeita, na sala!

E a mulher sonhada no amor
pois meu limite se altera
quando voce me aperta
quero voce na minha vida
a possuir meu querer
pois minha alma é dividida
entre te amar e te ter,
desejo o teu desejo
sou mulher de entregas e beijos
e sendo dama na sala
em seu corpo sou vadia
a brilhar em nossa cama
em saber que tu me amas

Diná Fernandes & Nice Canini

sábado, 4 de agosto de 2018

Blog parado!


Devido a baixa frequência por aqui, o blog ficará adormecido por tempo indeterminado.
Agradeço aos fiéis seguidores que por aqui passaram  e deixarma seu carinho.
Tenha todos felizes dias!

Bjs  e flores!
Da Diná para todos!

terça-feira, 24 de julho de 2018

Tutorial da Aldravia


ALDRAVIA: QUANDO O MÍNIMO É O MÁXIMO

(Texto originalmente publicado na Revista Literária Reflexos de Universos nº 79, junho de 2013) 

O jeito minimalista de dizer as coisas, tão em voga na era da internet, chegou para ficar na poesia. Entre tantas formas já consagradas na literatura brasileira a exemplo de haicai e poetrix, a aldravia vem aos poucos conquistando espaço e novos adeptos.

Tudo começou no ano 2000, em Minas Gerais, na cidade de Mariana. Um grupo de poetas e escritores organizou um movimento literário e artístico com a pretensão de criar uma forma alternativa de poesia condizente com as expectativas futurísticas do século que se iniciava. Algo que em poucas palavras expressasse o significante, deixando ao leitor a liberdade para dar sentido e significação ao texto.

Nascia assim a aldravia, um minipoema sem título que tem na retórica metonímica a sua característica principal. O Jornal Aldrava Cultural foi criado para ser porta voz desse movimento liderado pelos poetas Andreia Donadon Leal, J. B. Donadon Leal, Gabriel Bicalho, e J. S. Ferreira. Eles definem a aldravia como "poema sintético de seis versos de uma palavra, sobrepostos na linha vertical”.

Nas palavras de J. B Donadon Leal, o grande investimento aldravista é no conteúdo metonímico – pouco importa a forma. A forma é apenas textual, é apenas envelope dentro do qual os discursos se depositam em sua fecundidade ilimitada, disponíveis aos olhares de espectadores que alcançam alguma porção discursiva a partir da qual expande sua compreensão e interpretação.

O significado do termo aldravia deriva de aldrava, aquele objeto metálico preso à porta de entrada das casas antigas servindo para anunciar a chegada de alguém que bate: toc toc toc. Usando essa imagem, o movimento aldravista bate à porta dos leitores para anunciar uma proposta renovadora da poesia que lhes dá ampla liberdade de interpretação.

Meu primeiro encontro com a poesia aldravista foi a partir da leitura de um artigo interessante intitulado ABC das Aldravias, assinado pelos criadores do movimento. O texto é altamente recomendável a quem deseja conhecer melhor esse gênero poético ou exercitar-se na construção dos seus primeiros versos.

Eu que sempre fui adepto da poesia minimalista do haicai ao poetrix, tomei gosto pela ideia. Venho compondo aldravias que publico regularmente no meu site no Recanto das Letras. Mostrarei algumas delas a seguir, não sem antes homenagear os poetas pioneiros, transcrevendo suas criações que foram o começo de tudo: 

salto
de
cova
nascimento
do
                                           artista (Andreia Donadon Leal)

aldravia
meu
verso
universo
em
                            poesia (Gabriel Bicalho)

morangos
passeiam
sob
blusa
de
                                         algodão (J. B. Donadon-Leal)

8888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888


Aldravia 17

gaivotas
bordam
céu
e
meu
olhar

Dná Fernandes
Aldravia 07 em homenagem às vitimas do incêncio em Santa Maria-RS


vidas
ceifadas
sonhos
desfeitos
entre 
chamas

Diná Fernandes

sábado, 21 de julho de 2018

Feliz dia do Amigo!

Deixo meu caarinhoso e fraterno abraço à todos aqueles
que posso chamar de amigo(a) e que estão sempre
a me prestigiar nessa família blogosfera.


Pelos laços de uma amizade
Aos amigos nos ligamos
Com respeito e fraternidade
Permanecemos irmanados

Amigo é uma caixinha de bondade...
Como é gostoso seu abraço apertado
Cede seu ombro sem maldade
Conforta e ainda toma partido

Amigo que deixa saudade
Quando me deixa sem um recado
Amigo que trás felicidade
Será sempre um amigo amado

Amigo essa tal cumplicidade
Que abrange presente e passado
É motivo para que nossa amizade
Seja pra nossas vidas um legado

Diná Fernandes




quarta-feira, 18 de julho de 2018

Mensagens!





Jamais me sentirei sozinha, na companhia de Jeusus 
encontro meu conforto, sinto-me abastecida da suprema força.
Diná Fernandes
Tudo vem e tudo passa, exceto as promessas de Cristo (Diná Fernandes)

Que mais haverei de precisar?

domingo, 15 de julho de 2018

Amantes-TAUTOGRAMA EM "A"


Amantes,
Antigamente amavam ardentemente
Andavam abraçados, atrelados
Agora andam alucinados
Agitados, atropelam-se, agridem-se
Adulteram , ancoram amarguras
Atiram-se ao abismo, afundam-se
Angustiados, acuam-se, aniquilam-se
Adeja atitudes abomináveis
Adeus auspiciosos amores.

Diná Fernandes

sábado, 14 de julho de 2018

Revelação




Preciso dizer-te do meu sincero sentimento
Que tão brevemente no meu coração aflorou
Sinto na solidão um estado de falecimento
Não sabes do quanto minh'alma se alegrou

Em meu coração carente de envolvimento
Sua alma caminhante fez seu ninho de amor
Preciso dizer-te do meu sincero sentimento
Que tão brevemente no meu coração aflorou

O amor está a fluir como um rio em movimento
Uma torrente de desejos em mim desabrochou
Veio nas asas de Eros embalado pelo vento
Este amor que repentinamente se achegou
Preciso dizer-te do meu sincero sentimento.

Diná Fernandes

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Luto


Amigos e (as), bom dia!
Obrigada a todos que por aqui passaram e deixaram seu carinho
Desculpem a ausência!


Depois de uma luta severa acompanhando meu sobrinho de apenas 40 anos, acomeitodo de Cirrose e Pancreatite Crônica, ainda um tanto abalada pela sua passagem para outra dimensão, retorno ao convivio da blogosfera. Vida que segue, embora saudosa, mas não posso parar!

Que Jesus lhe acolha em seus braços.

Saudades eterna Tetê!


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Familia Unida é Um Bem Impagável- Acróstico


















F onte que deveria ser de amor,
A nos unir em irmandade de sangue,
M ostrar a força da Unidade fraternal,
I nteragir e acatar ensinamentos da retidão,
L abor em conjunto, primícias de progresso,
I ndo ao encontro da conquista e vitória.
A ssim, Deus nosso Pai preconizou,
                          X
U nião no lar gera prosperidade
N a guerra  todo bem é diluído
I ndo de encontro à derrota
A família é porto seguro
D issolução de membros fragmenta laços

É nosso dever promover a Paz

U m viver em desarmonia
M acula a felicidade  familiar

B  asta que reine a tolerância
E ntre todos haja afeto e respeito
M útuo  para sustentar a estrutura do lar

I  ndiferenças  existem,  mas não devem perdurar
M anter  a placidez  é prioridade
P icuinhas não combinam com família
A fábrica da Paz instala-se dentro do coração
G era um grande bem estar
A dube  seu ego com  amor e compreensão
V erta todo amor que puder
L eitura diária do Evangelho como apaziguador familiar

Diná Fernandes

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Avoante

Ver a imagem de origem

Planei nas asas do vento
Sobrevoei o infinito...
Como pássaro em movimento
Num voo rasante e bonito,
Fui por ti procurando
na busca vã,
Deixei cair meus lamentos

Num ato de coragem
Rasguei o véu do espaço,
Vislumbrei bela paragem.
Acordei, era março
Nos olhos, só miragem!

Como caravela avoante,
De velas infladas de paixão.
Navegando pelo horizonte,
Nas supostas asas da ilusão
Um sonho delirante

Um cenário enluarado
Quatro ventos a conspirar
O corpo cansado fez ninho
Sozinho e desapontado
Caí nos braços da lua

Diná Fernandes