
Desempregada e já sentindo a necessidade para suprir as carências básicas para o viver, consultei o jornal da cidade, enquanto folheava aquelas páginas, me deparei com um anuncio de emprego.
Eu me enquadrava perfeitamente nos requisitos exigidos para ocupar a aquela vaga.
Era um domingo de sol e o mar parecia me chamar, pensei em ficar em casa, no dia seguinte faria entrevista e precisava estar com a mente sossegada.
Após o almoço resolvi tirar uma soneca, uma amiga me ligou convidando para um aniversário à noite, recusei o convite e expliquei o motivo, depois de tanta insistência acabei aceitando, e então marcamos para as 20 horas nos encontramos.
O local era em outro bairro e um pouco distante, enquanto me arrumava, algo me dizia para não ir, desacreditei na intuição e fui. Terminada a festinha, fomos a um barzinho tomar uma cervejada como saideira, o papo foi se prolongando e quando percebemos já era bem tarde. Eu e minha amiga e a estrada um pouco deserta, para nossa tristeza um dos pneus estourou, por sorte estávamos em frente a uma velha casa em ruínas que tinha um muro de proteção na parte da frente, lá colocamos o carro e ficamos o resto da noite até o amanhecer.
Me ardia os neurônios em lembrar da entrevista logo mais às dez horas, ficamos à beira da estrada tentando um socorro que finalmente encontramos e resolvemos o problema do pneu.
Cheguei em casa às nove horas, já bem próximo o horário da entrevista, estava feliz e bem animada pela chance de conseguir a vaga.
E ao chegar no escritório me identifiquei e falei e me desculpei pelo pequeno atraso, a secretária de cara e sem arrodeio -falou-me, se tivesse chegado meia hora antes já estava sendo entrevistada, aguarde e será a próxima e a quarta entrevistada.
Quando entrei na sala, o chefe me olha e diz -infelizmente a vaga está preenchida, agradeci e voltei desolada.
A oportunidade quando chega temos que segurar e dispensar qualquer outro compromisso agendado ou não, pois a mesma é inquieta passa voando e não deixa alerta, quem puder agarre-a com os dois braços num abraço de esperança.
A minha oportunidade chegou, e ingenuamente optei por uma festinha sem futuro.
Diná Fernandes