sexta-feira, 8 de junho de 2018

Deficiente Visual


Poder caminhar livremente
Mesmo usando óculos,
É um presente de Deus, certamente!
Diferente do cego que convive com obstáculos,

Privado da santa luz do dia,
Mas, de sensibilidade diferenciada
Tem o mundo nas suas digitais, quem diria
Que o cego tem sua sensibilidade aguçada.

Um exemplo de vida
É a vida do cego,
Que não abdica da vida
Para viver sôfrego.

Diná Fernandes

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Mar de Lágrimas


Uma espera alimentada de sonho dourado 
enchia meu peito de esperança, eu flutuava. 
De paixão, palpitava meu coração apaixonado 
E no meu mar de lágrimas, sozinha, sobrenadava. 

A vida já implorando algum revérbero... 
Mais e mais a solidão acinzelando meus dias. 
As noite escorrendo lentas, quisera um mensageiro, 
Um sussurro do vento, ou qualquer eufonia... 

Um impulso para rasgar o véu da tristeza, 
Um marasmo me envolvendo na preguiçosa nuvem. 
Nem tinta nem papel há sobre minha mesa, 
Para desenhar uma aquarela com sua imagem, 

E assim, talvez eu possa ver-te além do meu olhar 
Admirar a tela, me abastecer da tua suposta presença. 
Já sufoquei o horizonte, onde vivo a te procurar 
Com meus olhos de esmeralda, cheios de esperança. 

Diná Fernandes

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Tenho um coração



Tenho um coração, não apenas para amar,
Ele foi transformado em relicário
Para a minha saudade guardar.

O amor por mais aconchegado que esteja,
Está sempre saudoso; saudoso de carinho.
E a saudade sempre se enseja.

A saudade mora em meu peito, é irmã do coração,
Corre nas veias junto com meu sangue,
Como unha e carne não pode haver separação,
Às vezes deixa o amante exangue.

Ela vem no açoite do vento, chega como furacão,
Vira rio serpeando nas veias do coração peregrino.

Diná Fernandes

domingo, 20 de maio de 2018

Se os Poetas Dessem as Mãos

Encontrei no Citador esta pérola poética , fiquei encantada
e então, partilho com vocês
Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro


Se os Poetas dessem as mãos 
e fechassem o Mundo 
no grande abraço da Poesia, 
cairiam as grades das prisões 
que nos tolhem os passos, 
os arames farpados 
que nos rasgam os sonhos, 
os muros de silêncio, 
as muralhas da cólera e do ódio, 
as barreiras do medo, 
e o Dia, como um pássaro liberto, 
desdobraria enfim as asas 
sobre a Noite dos homens. 

Se os Poetas dessem as mãos 
e fechassem o Mundo 
no grande abraço da Poesia. 

Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Encerrada em mim mesma



Madrugada fria, silêncio nas ruas,
No meu quarto de paredes amareladas
Não há nada além dessa criatura
Sem azáfama, cheia de tristuras,
Com alma entediada.
Um corpo que perdeu sua pintura.

Encerrada em mim mesma
Nada mais parece existir.
Já não evoco alegria, serei seresma?
Ah! Se eu pudesse introduzir
Nesse meu corpo de lesma
O desejo de parir...

Novas emoções,
O ardor da paixão,
O fogo dos vulcões
Desse mal, a isenção!
Despertar em comoções...

Diná Fernandes

sábado, 12 de maio de 2018

Dúvida de coração bobo

Não sei onde vou guardar tanto fascínio Se n'alma, em um casulo ou coração Penso-te distante do meu domínio Coração fica doido de paixão...