quinta-feira, 18 de junho de 2020

Que Humanidade é Esta?

Hoje trago essa preciosidade do Saramago, se bem observarmos, 
parece que a composição saiu do forno agora, ele estava com a razão!
José Saramago
Portugal
16 Nov 1922 // 18 Jun 2010
Escritor [Nobel 1998]

Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.


José Saramago, in 'Canarias7 (1994)'

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Quando acaba o Encanto


Em Belo Monte um muro de pedras foi construído para evitar ...
Já foste presente,
Nada memorável restou .
Petrifiquei o coração,
Quando virei a página
vi uma folha opaca.

Não use seus sortilégios,
No quesito sedução
Dou-lhe nota zero,
Há muito mudei meus conceitos
Repaginei minha história.

Surpreendente, não?
Quem joga pedra
Não espera receber flores.
juntei todas aquelas pedras,
uma a uma,
com elas construí meu castelo,
Têm a marca das suas mãos
Mas, não tem os grilhões
Que me prendiam a você.

Bendita a força
Que me fez reunir as pedras
E com elas edifiquei minha fortaleza,
Cá fora deixei um arquivo descompilado
VOCÊ!
Um estupendo delete.!

Diná Fernandes

sábado, 13 de junho de 2020

Tu me rondas


 A Noite é Púrpura | Marte Precisa de Flores
Tu me rondas 
como fantasma, 
eu me visto com o brilho 
da noite púrpura, 
salpico o teu olhar
com um punhado de desilusão

A tatear as paredes 
procuras meu abraço,
rasgas um brado de espanto 
num piscar de pestanas 
esvaído em vento 
deixei minha ausência 
para que sintas minha falta. 

Diná Fernandes

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Aldravias

Existe Vida nas Palavras: Aldravia

ventania
dentro
do
peito
paixão
tremulando
II
Aldrava Leão Batedor De Porta Bronze Batente De Porta Aldraba ...
amor
traído
coração
divido
sentimento
ferido


Diná Fernandes

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Aldravias

O Brasil na Corda Bamba - IEPP - Medium
Escalo
nuvens
na
escada
de
vento

como
corda
bamba
escada
sem 
degraus

como
estrela
cadente
voo
celeste
Plaft!

Diná Fernandes






quarta-feira, 3 de junho de 2020

Despedida

Expectativas sempre vão gerar... Marcelo Guinzelli

Partiu num fim de tarde
Com um adeus silencioso.
Sem vírgula nem ponto
Na bagagem, a covardia

Um breve olhar
Depositou em minhas retinas.
Perdi-me nas reticências...
Lembranças tantas
Entre nuvens,
Perder-se-ão no infinito.

Sem cobranças,
Sem palavras,
Apenas um açoite
no coração.
Um muro de sustentação
Cresceu dentro de mim.

Foi preciso encarar
E, surpreendida,
Mastiguei a dor
Digeri o amargo manjá
Tranquei meu relicário,
nele, não entras mais!

Diná Fernandes

domingo, 31 de maio de 2020

05 Anos de blog

Bom dia a todos que por aqui passarem
São cinco anos de blog, embora com trânsito lento, 
não importa, essa página sobrevive de alimento poético meu e de todos 
os leitores e comentaristas. 
GRATIDÃO E CARINHO AMIGOS,
por navegarem comigo nessa nave  poética




Dúvida de coração bobo

Não sei onde vou guardar tanto fascínio Se n'alma, em um casulo ou coração Penso-te distante do meu domínio Coração fica doido de paixão...